Archive | May, 2010

Enter – uma antologia digital

31 May

Daí que quando alguém do calibre de Heloísa Buarque de Holanda resolve fazer uma Antologia Digital (e multimídia), você percebe que os tempos estão mudando.

Entendendo e mapeando o site Cronópios

24 May

Antes de começar qualquer estudo, o interessante é ter uma visão panorâmica clara do objeto.

Para isso, naveguei pelo Cronópios para descobrir todos os projetos paralelos e seções do site. Abaixo, um mapa esquemático do site:

Pipol, o editor do Cronópios, parece um cara cheio de idéias, e pronto para colocar a maioria delas em prática. O Cronópios acaba sendo o ponto central, mas outros projetos são colocados de forma paralela, como os podcasts, a TV Cronópios, as publicações Pocket Book, a revista MnemoZine e até uma seção infantil, o Cronopinhos.

Na parte principal do Cronópios, várias seções dão espaço para diversos tipos de literatura, além de discussões e também notícias do mundo editorial.

Curiosamente, o Cronópios possui também uma espécie de curadoria. Além de Pipol, o editor do site, o Cronópios tem uma jornalista responsável (Egle Spinelli) e uma série de conselheiros, tanto para o Cronópios quanto para o Cronopinhos, além de alguns correspondentes, nacionais e internacionais.

Cada caso é um caso

24 May
Depois de ler textos sobre literatura digital – alguns artigos e até uma tese de PhD – e discutir sobre o assunto com estudiosos do assunto e com meu orientador, ficou claro: me faltava um foco. Houve quem sugerisse que eu me fixasse em um estilo literário – talvez poesia ou prosa digital – de forma a buscar um alvo mais objetivo para que meu trabalho.No entanto, o meu interesse sempre foi mostrar as possibilidades e a abrangência da literatura digital – poesia, prosa, tudo tem seu espaço, desde a possibilidade de ampliar a abrangência dos textos até permitir que se façam poemas concretos.

Entendendo a minha ânsia e buscando um ponto de equilíbrio, Paulo Franchetti, meu orientador, me deu uma idéia: que tal fazer um estudo de caso?

“Comoassimestudodecaso?”, foi o que eu pensei. Mas o professor já vinha com a faca e o queijo na mão, e me sugeriu que analisasse o site Cronópios. De cara eu já achei uma ótima idéia.

Não que eu acessasse o site com assiduidade, mas já havia cruzado com ele em minhas andanças internéticas. Para quem não conhece, o Cronópios é um site dedicado à literatura, que se propõe a discuti-la através de ensaios críticos e da publicação de prosa e poesia.

Seria muito parecido com muitas iniciativas que temos por aí, mas o que faz com que o Cronópios se destaque é a presença de grandes nomes da literatura e do seu estudo, lado a lado com completos desconhecidos e não-canônicos escritores.

O mais interessante, a meu ver, é que o site Cronópios contempla grande parte das discussões que gostaria de levantar, como ‘porque publicar online é menos do que publicar em livro impresso?’,  ‘porque poetas concretistas adoram a web?’, ‘qual a grande vantagem da internet frente ao livro comum?’ e até mesmo se a literatura está presa ao suporte do livro ou se pode crescer e se desenvolver independente dele.

Enfim, são tantas perguntas e questões que não caberiam em um estudo com afinco sobre a literatura digital, que precisaria elencar conceitos literários e partir de pontos e princípios para se desenvolver. No entanto, ao analisar o caso do site Cronópios, eu tenho a possibilidade de gerar um grande material que tente responder a essas questões – e, penso eu, muitos deles podem ser feitos de forma multimídia, como video-entrevistas, que poderiam ser publicadas online, ao alcance de diversos usuários.

Esse é o novo rumo, e eu espero que os resultados possam ser benéficos e proveitosos.

Manter romantismo do livro é chave na era digital, diz Penguin

24 May

Editoras buscam meios de fazer a leitura em dispositivos digitais mais atraente

Do Terra Tecnologia.

Vc sacode o iPad e a historia de ‘Alice’ se torna interativa veja o novo ebook – Blue Bus todo mundo ve

24 May

Tá ai uma boa forma de usar mídias digitais (no caso, o recente iPad da Apple) para contar histórias tradicionais.

Do Blue Bus.

A dificuldade de conceituar literatura

24 May
Durante a leitura de “Digital Literature” de Raine Koshimaa, percebi que uma das dificuldades na hora de falar sobre literatura digital é exatamente conceituar literatura.Isso porque há tempos existem certos tipos de experimentos com a criação de ‘poemas’ e ‘literatura’ a partir do computador. O funcionamento é mais ou menos assim: um programa seleciona aleatoriamente palavras em um banco de dados e forma o que os pesquisadores chamam de ‘literatura computacional’.

Existem também outras formas de compilar textos de forma automatizada e publicar livros. No entanto, não é o que eu pretendo estudar.

O que me interessa é mais próximo da definição de Katherine Hayles: “electronic literature, generally considered to exclude print literature that has been digitized, is by contrast ‘digital born,’ and (usually) meant to be read on a computer.

Por isso, vou precisar incluir ali na bibliografia alguns títulos de teoria literária. A princípio, darei uma olhada em Culler, Eagleton e uma compilação de Thomas Bonnici e Lúcia Osana Zolin, que me parece bastante abrangente. Também precisarei buscar algumas referências sobre literatura pós-moderna.

Nunca o primeiro semestre do meu curso me pareceu tão essencial.

Clipping » O encontro dos livros com a web, de Raquel Cozer

24 May

[grifos meus]

Blogs e redes sociais fazem editoras acabarem com o mito de que a internet rouba o público que consome literatura

21 de março de 2010

Raquel Cozer – O Estadao de S.Paulo

A mais recente reformulação do site da gigante editorial Simon & Schuster, no mês passado, abriu espaço para um guia de bons modos on-line para escritores. As regras? Abra um blog. Entre no Facebook. Crie conteúdo para redes sociais literárias. Interaja.

Nada complexo para qualquer pessoa que tenha atravessado a última década na civilização, mas, vindo de uma das mais tradicionais editoras norte-americanas, o recado foi claro: estão por fora os alarmistas que veem a internet como um bicho-papão capaz de afastar da literatura quem tem disposição para ler.

O crescimento das redes sociais literárias no País no último ano ajuda a entender como o mundo digital e o editorial podem se complementar. A maior delas, o Skoob (www.skoob.com), foi criada por um grupo de amigos em dezembro de 2008 e já tem 150 mil cadastrados – há coisa de seis meses, mal passava dos 30 mil. São números consideráveis para uma rede que se descreve apenas como “um local onde você diz o que está lendo, o que já leu e o que ainda vai ler”. Mas o fato é que esse tipo de mídia tem um papel bem maior que o de “dizer o que se lê” – e isso é algo que as editoras nacionais apenas começaram a perceber.

Os primeiros milhares de usuários de redes como o Skoob e o Livreiro (www.olivreiro.com.br) chegaram pelo boca a boca virtual, em especial via Twitter. Mas o boom aconteceu depois que editoras como a Record e a Planeta identificaram o potencial desses sites e se ofereceram para participar. Viram ali um filão barato e eficaz para divulgar seus títulos: enviam uns poucos exemplares, e os sites de relacionamento os usam como prêmios em promoções. “É mais fácil divulgar um livro na internet que em qualquer outra mídia. Falando por uma rede, um blog, chegamos ao perfil exato do leitor que buscamos”, diz Debora Juneck, gerente de marketing da Planeta. O custo é quase zero, já que, como num viral, os internautas fazem a divulgação.

O negócio também é vantajoso para os criadores das redes. O analista de sistemas Lindenberg Moreira, 33, “pai” do Skoob, começou a ganhar dinheiro logo nos primeiros meses, quando o Submarino ofereceu uma parceria pela qual o site levaria uma porcentagem sobre os livros vendidos. “É exponencial. Da última vez que vi, estávamos vendendo uma média de 3 mil, 4 mil livros por mês.”

Situação parecida viveu em 2008 uma das mais antigas e conhecidas redes sociais para amantes da literatura, a norte-americana Shelfari. Quando chegou ao primeiro milhão de usuários, atraiu a atenção da Amazon, mas o site de compras não quis só parceria – comprou a rede de uma vez. No mesmo ano, a HarperCollins preferiu lançar o seu próprio site de relacionamentos, o Authonomy, definido como uma “meritocracia que visa acabar com a pilha de originais não lidos” sobre a mesa de editores. Nele, o candidato a escritor disponibiliza textos para download, outros usuários leem (de graça), comentam e votam. Ao fim de cada mês, as cinco mais bem colocadas são “avaliadas para publicação”. O blog da rede lista casos bem-sucedidos, mas o fato é que o maior benefício da Authonomy foi aproximar os leitores da editora. Deu tão certo que, há três meses, a HarperCollins lançou uma rede para adolescentes, o Inkpop.

No Brasil, a coisa anda mais devagar. Além de participar de redes sociais literárias, a maior parte das editoras criou perfis no Twitter e no Facebook. Quase nenhuma ainda tem um site que vá além da básica “loja online”, com estantes nas quais figuram os lançamentos.

A mais avançada nesse sentido é a Cosac Naify, que remodelou a página virtual e criou um blog há cinco meses. O segredo, diz o diretor editorial Cassiano Elek Machado, é oferecer material exclusivo. Há pouco, por exemplo, Machado convidou a escritora gaúcha Carol Bensimon, que mora e estuda em Paris, a percorrer a rua Vaneau, descrita pelo espanhol Enrique Vila-Matas no livro Doutor Pasavento, e relatar a experiência no blog. “Não pensamos na página como um espaço de vendas, é um lugar de relacionamento”, diz.

Neste mês, a Cosac comemorou uma efeméride só possível em tempos de 140 caracteres de fama. Completou um ano no Twitter e usou a data para angariar mais seguidores – conseguiu 800 de uma só tacada ao oferecer um exemplar da biografia Clarice para quem passasse adiante uma mensagem da editora.

O encontro dos livros com a web – Estadao.com.br

A ideia surgiu…

24 May

enquanto eu fazia uma matéria na ECA/USP como aluna especial. Apesar do estranho nome da disciplina – Comunicação Interativa e o Texto Eletrônico-digital – o professor Arthur Matuck conseguiu ser bastante abrangente nos tópicos abordados, além de permitir que cada um estudasse com um tantinho mais de afinco cada um dos temas propostos por ele.

O meu tema? Criação Literária no Mediaverso Digital. Tinha tudo a ver com o que eu sempre gostei e com o foco do meu curso da facu.

Hoje, cerca de dois anos depois, o meu interesse continua cada vez mais vivo: assim como Douglas Rushkoff, eu ainda acredito muito no mundo digital, e perceber a literatura como algo maior que o seu atual suporte – o livro – é algo que me empolga e me faz querer saber mais.

Assim, decidi que este seria um bom tema para a minha monografia de final de curso. Afinal, é um assunto no qual eu tenho um interesse genuíno, e que pode ser bastante útil nos estudos de literatura.

Atualmente o meu foco ainda é disperso: me interesso pela literatura criada em meios digitais (mas não vejo lá muita graça naquela literatura computacional, ok?), pelos lançamentos independentes e pelas grandes possibilidades dos leitores de ebooks que estão sendo lançados. No entanto, acredito que a melhor área seria focar na literatura criada e distribuida digitalmente. Lógico, não vou resistir comentar um pouquinho sobre a revolução que iPads, Kindles e Nooks podem trazer, mas muito provavelmente esse não será o centro das minhas atenções.

O blog surge exatamente para que eu mantenha o hábito de comentar e compartilhar as observações que fizer acerca dos temas, e também para receber comentários sobre eles, de forma a enriquecer a pesquisa.

Vale ressaltar que o modelo de monografia em que trabalharei prioriza mais a exposição do que a defesa de um tema. Portanto, eu não pretendo convencer ninguém de nada, mas sim apresentar todo um mundo de literatura digital, que vem sendo discutido por acadêmicos, estudiosos, universitários e palpiteiros por aí.

Sintam-se a vontade para comentar, palpitar e sugerir!